12/07/2016

Almas danificadas

Garota tomando café na cozinha

O cheiro de café fresco invadia minha narina e me fazia lembrar de quando minhas mãe acordava cedo para preparar o café da manhã para mim e para meu pai. Não sei bem quem o estava fazendo no momento, mas tinha certeza que não poderia ser minha mãe e nem meu pai, pois ambos estavam mortos fazia anos.

Fecho os olhos permitindo-me voltar no tempo por alguns instantes. Vejo o sorriso caloroso da minha mãe e automaticamente meus lábios se abrem em um sorriso prazeroso. Seus cabelos castanhos caem como cascatas por suas costas e ela se reclina para beijar minha testa carinhosamente como sempre fizera.

O barulho vindo da cozinha me faz voltar ao presente e sair de meus devaneios imediatamente. Sinto uma lágrima escorrendo pelo meu rosto e suspiro. “O que aconteceu na noite passada?” me pergunto em pensamento. Quase que instantaneamente flashes dos acontecimentos da noite surgem em minha mente.

— Preciso parar de beber. — resmungo espreguiçando meu corpo.

Levanto da cama indo até meu banheiro e me olho no espelho. Estou um caco. Meu rosto está pálido e amassado, meu cabelo está embolado e para ser sincera pareço ter sido atropelada por um caminhão. Xingo baixinho e abro a torneira colocando minhas mãos em concha embaixo da água. Jogo a água gelada em meu rosto para despertar mais rápido e escovo meus dentes. Volto para meu quarto e fico protelando se devo descobrir quem trouxe para passar a noite em casa ou se finjo não saber que havia mais alguém na casa. De qualquer maneira terei que me livrar do estranho que está em minha cozinha fazendo café da amanhã e não conheço maneira melhor do que ser direta e dizer que a noite passada foi um erro.

Sem querer perder a coragem saio do quarto indo até a cozinha, onde um homem de uns 26 anos está parado apreciando a vista da varanda dos fundos, o que faz com que ele esteja de costas para mim. Ele veste apenas uma calça jeans sem camisa. Mesmo de costas dá pra ver que seu corpo é bem definido. Balanço a cabeça para me livrar das imagens que começam a invadir minha cabeça e pigarreio para chamar sua atenção.

O homem se vira. Está com uma caneca de café na mão e ao me ver esboça um sorriso que diria no mínimo encantado. Não gosto da forma como ele sorri e isso faz meu estômago se revirar. Tento parecer simpática e lhe digo bom dia enquanto me sento à mesa e me sirvo de um pouco de café. Antes de começar a falar tomo um longo gole que desce bem quente por minha garganta esquentando todo o meu corpo. Vejo-o se sentar em minha frente e dou um longo suspiro.

E então começo com meu discurso. Digo que não lembro de muito da noite passada e que não sou o tipo de mulher que sempre traz homens que conheceu na balada para casa. Ele concorda como se me conhecesse e diz que eu não deveria me sentir mal por ter gostado tanto dele que resolvi dormir com ele, pois ele também gostou de mim. Reviro os olhos com tais palavras e faço um esforço para não deixar de ser simpática. Volto a falar só que dessa vez sem fazer muita questão de me importar com sua opinião.

Lhe digo que a noite passada fora um erro e que não iria se repetir, então ele pergunta porque. Exasperada reviro os olhos novamente e suspiro. Explico que eu estava bêbada e por isso fiquei com ele e ainda o trouxe para minha casa, depois digo-lhe para terminar o café se vestir e sair, pois amigos meus estavam vindo e eu não queria contar-lhes sobre o que havia feito na noite anterior. Perplexo ele apenas deixa a caneca na mesa, volta ao meu quarto e veste a camisa. Sem dizer uma palavra ele sai pela porta da sala. Posso dizer que saiu porque consigo escutar a porta abrir e fechar com certa força.

Finalmente respiro aliviada deixando meus pensamentos vagarem para uma época em que eu não era essa mulher que sai, enche a cara, leva um desconhecido para casa e depois o expulsa no dia seguinte como se tudo fosse apenas parte da rotina. Eu era alguém melhor e talvez me arrependa por ter mudado.


Mas a verdade é que quando a alma de uma pessoa está muito danificada pelos sofrimentos do passado ela muda, é inevitável. Algumas pessoas se tornam frias com o tempo, outras passam a beber para esquecer o passado e algumas — como eu — simplesmente passam a fingir que não tem problema nenhum na vida, mas continuam sentindo-se vazias o tempo inteiro.

22/01/2016

Para quando te julgarem

livros, uma xícara de café, um caderno e um celular

Essa semana minha vida está de cabeça para baixo. Para dizer a verdade parece que 2016 começou com o pé esquerdo para mim. Cada dia que passa surge um julgamento diferente na minha vida. Sei que não estou imune a julgamentos, mas ficar ouvindo o tempo todo da sua família que você não serve para nada, que não quer nada com a vida, que é falso ou burro dói, sabia? 

Ouvir coisas como essas tem me feito ter cada vez menos vontade de viver ou de ir atrás dos meus sonhos. Sendo sincera, tenho desejado muito não ter nascido. Pelo menos assim eu pararia de ser um estorvo na vida das pessoas. 

Falando desse jeito me faz parecer uma dessas jovens depressivas que para tudo faz um drama. Bom, isso não é nem verdade e nem mentira. Primeiro que eu não faço drama para tudo e segundo, admito que que sou um pouco dramática com certas questões.

A questão é, por que as pessoas julgam tanto a gente se nem ao menos conhecem nossos pensamentos ou sabem o que sentimos? Por que elas se sentem tão bem nos fazendo sentir-se inferior? 

Perguntas essas que nunca soube responder e que ninguém que eu conheça soube também. De certa forma isso é triste, já que ao fazerem essas coisas muitas outras sofrem ou até mesmo cometem atos extremos. 
Para mim o pior é ter que ouvir isso de pessoas que amo e depois ser taxada como louca por estar triste ou deprimida. No entanto eu já deveria estar acostumada com esse tipo de coisa, já que desde que me entendo por gente, indivíduos julgam-me de todas formas e maneiras. 

Mas se quer um conselho meu para quando coisas assim acontecerem? Apenas coloque as músicas mais inspiradoras que lhe vier à cabeça, pegue um caderno, uma caneta e escreva tudo o que estiver sentindo mesmo que algumas lágrimas caiam ou o texto fique meio desconexo, pois esse é o melhor jeito de aliviar o aperto em seu coração. 

09/11/2015

Paraíso Imaginário

nascer do sol na praia com pássaros voando



Fecho os olhos por um momento esquecendo o mundo ao meu redor. Sou transportada para uma praia calma e deserta com uma brisa refrescante, as ondas batem na areia aos meus pés, as vezes molhando meus tornozelos e joelhos. O sol está lá no alto me agraciando com sua presença e um sorriso torto brinca em meus lábios.

Confesso que nunca fui muito fã de praia em dia de sol, pois sou meio do tipo vampira que não gosta de tomar sol, mas ser transportada para aquele lugar surreal mesmo sabendo que ainda estou sentada em minha cama com as pernas cruzadas e os olhos fechados por algum motivo me acalma, como se aquilo fosse o remédio que venho precisando a semanas para poder voltar a me sentir bem comigo mesma e com o mundo.

Um suspiro escapa por meus lábios. Sei que uma hora terei que abrir os olhos e voltar a minha realidade, mas por enquanto apenas me permito ficar aqui em meu pequeno paraíso imaginário. Olho para o horizonte observando a imensidão azul do mar e do céu se fundirem em certo ponto, queria nunca ter que abandonar esse lugar, viver aqui seria perfeito, seria como ganhar na loteria. Um lugar calmo, inspirador e mágico.

Fecho os olhos sentindo o sol aquecer minha pele, uma onda se quebra aos meus pés molhando meus joelhos e consequentemente molhando a barra de meu vestido florido, então para minha surpresa um par de mãos firmes e grandes seguram minha cintura me trazendo para mais perto de um corpo maior que o meu e instintivamente eu paraliso sem saber o que fazer ou quem poderia ser até que sinto uma respiração quente em meu ouvido e uma voz sussurra:

- Aproveitando o sol, majestade?! - Imediatamente meu corpo se arrepia, meus lábios esboçam um sorriso bobo e um suspiro calmo escapa por meus lábios.
- Agora o paraíso está completo, majestade. - Respondo feliz por meu namorado está comigo em meu paraíso imaginário e dou uma risadinha por causa da nossa brincadeira de majestade.

Volto a fechar os olhos recostando a cabeça no peito dele e sentindo o sol aquecer minha pele e agora sei que era exatamente disso que eu precisava para ficar bem comigo mesma e o mundo. Eu precisava me isolar do mundo por alguns instantes e apenas apreciar a beleza que havia dentro de mim. A beleza que estava escondida em meio aos gritos sufocados de uma menina triste que estava perdendo as esperanças de que a vida podia ser bonita em algum momento.

A pequena eu agora está sorrindo e correndo pela areia daquela praia deserta que eu criei para nós, enquanto ela corre e brinca, eu desfruto de um momento perfeito nos braços daquele que eu amo e que não pode estar comigo pessoalmente no momento. Sei que fiz o melhor para mim ao me refugiar naquele paraíso, pois a pequena eu demonstrava um sorriso feliz novamente. O meu sorriso também não esconde a paz que estou sentindo em meio a toda magia do meu paraíso.

Então tão rápido quanto fui parar naquele lugar estou de volta a meu quarto, sentada em minha cama com as pernas cruzadas e os olhos abertos absorvendo cada detalhe que sempre passara despercebido por mim, as canções de Colbie Caillat substituem o som das ondas quebrando na praia e Stefan, meu ursinho de pelúcia é a única coisa que sinto, mesmo que ele não possa substituir os braços do Marcelo - que infelizmente estão apenas em minha imaginação ainda. - fico feliz por estar abraçada ao Stefan, pois ele sempre foi meu porto seguro em momentos de crises, lágrimas e tristezas. Agora não seria diferente.

Meu paraíso imaginário se foi, entretanto a paz que ele me trouxe continuou em mim. Eu sei que aquilo não foi a cura para o que eu estava sentindo. Sei que os gritos sufocados da menina dentro de mim não desapareceram completamente, mas diminuíram de intensidade deixando que eu ouvisse meus pensamentos novamente e só isso já é bom o bastante para me fazer começar a escrever sobre esse lugar mágico que existe na mente de cada um de nós, que pode ter a forma que desejarmos que tenha e que as vezes ajuda muitas pessoas que assim como eu não estão tão bem com sigo mesmas e nem com o mundo e por essa razão estão precisando fugir um pouco da realidade.

12/10/2015

Apenas perguntas que não tenho respostas

garota pensativa sentada num balanço


É engraçado quando você se encontra olhando pelo lado de fora. Tudo ao qual você imaginou toma uma perspectiva totalmente diferente daquela que estava em sua cabeça. Quando você iria se imagina sendo a pessoa que você é hoje? Quando foi que tudo realmente mudou na sua vida? Será que seria diferente se você tivesse planejado mais? Eu, sinceramente, não faço ideia de como teriam sido as coisas se eu planejasse mais ou se eu tivesse tomado uma decisão diferente.

Olhando para trás penso nas vezes que me perdi durante o caminho para chegar nesse meu eu de hoje e olha foram muitas vezes. Penso também nas vezes em que pensei em desistir de tudo apenas por não saber se dariam certo ou apenas por pura conformidade e comodismo que sempre tive.

Tenho certeza que agora você no mínimo revirou os olhos. Isso sempre foi bem típico de você, bastava alguém não seguir o que você queria que então seus olhos reviravam com desdém para a pessoa. E eu era craque em fazer você revirar seus olhos. Fico me perguntando se ela também faz isso com você. Se ela também se pergunta como foi que ela chegou a ser quem ela é hoje. Se ela olha para trás e pensa nas coisas que deixou de fazer ou fez simplesmente porque o ex. dela queria que ela fizesse.

Será que você revira os olhos para ela como revirava para mim? Eu sei que é besteira minha querer saber dessas coisas ou ao menos me perguntar sobre isso, mas acho que é meio inevitável afinal eu ainda não sei por que você nunca aprovou o jeito como eu era e as vezes tenho vontade de saber se você aprova o jeito dela, já que está com ela a muito mais tempo do que ficou comigo.

Nossa, nem quero imaginar como meus amigos irão reagir se souberem que eu ainda me pergunto sobre sua vida. Sei que no mínimo minha melhor amiga vai ficar fazendo mil perguntas sobre o que eu ainda sinto por você, mas, veja bem, eu não sinto mais nada por você. Apenas tenho algumas perguntas não respondidas com relação a garota que eu era quando estava com você e com o fato de você nunca a ter aprovado em nada. Para mim ainda é estranho saber que eu não era o suficiente, mas ela é. Poxa, eu fiz tudo para te agradar e mesmo assim não foi o suficiente para você. Então achando que eu estava atrapalhando sua vida você terminou comigo de forma indiferente.

Eu costumava me diminuir quando estava com você. Ficava me sentindo culpada quando não fazia o que você queria e até me recriminava por pensar diferente de você e quer saber, isso me consumia, me tornava uma pessoa diferente com todos. Fazia com que eu sempre me olhasse no espelho e perguntasse ao meu reflexo o que estava acontecendo comigo e sabe como a menina no espelho respondia? Ela sorria e dizia que eu estava enganada, pois você era perfeito e só queria meu bem. Isso mesmo eu idealizei você e de uma forma que me tornou totalmente inferior a você e até mesmo submissa. Essa é a parte que eu mais odeio.

Pois é, olhando de fora a época em que vivi com você, tenho uma visão de mim que nunca imaginei que fosse possível. Isso me assusta e me irrita ao mesmo tempo, pois a pessoa que sou hoje jamais se renderia a você da forma que eu me rendi naquela época.

Vergonha. Essa é a palavra que me define toda vez que olho para o que fomos, para o que eu fui quando éramos você e eu. Poderia ter sido diferente? Sim, claro que poderia, bastava eu não ter me submetido a você da forma em que me submeti, mas você era meu primeiro relacionamento de verdade, eu queria que tudo fosse perfeito e para sempre como você dizia que seria. Hoje eu sei que estava errada, devia ter me valorizado mais, devia ter dito não quando necessário... devia ter feito tanta coisa, mas não fiz e não posso mais me lamentar por isso. O tempo não vai voltar e me deixar refazer todas as coisas que fiz de errado.

Mas eu sempre vou querer saber se você a desaprova em alguma coisa como me desaprovava. Sempre vou querer saber por que eu nunca fui suficiente para você, porém não se preocupe, eu não sinto mais nada por você, isso são apenas perguntas que não tenho respostas.

05/10/2015

Último Beijo

Taylor Swift back to december


Era apenas uma brincadeira. Você fingiu ser meu namorado enquanto passeávamos juntos e eu ri daquilo. Achei idiota, mas era divertido. Talvez eu soubesse desde o início o problema que você seria para mim, mas por alguma razão eu me encantei por seu sorriso. Me deixei levar por sua mão na minha e me arrepiei quando sussurrou algo bobo em meu ouvido.

“São coisas tão bobas essas”, as pessoas diziam o tempo todo. Mas para mim aquilo pareceu importante. Quando voltamos para casa e você me roubou um beijo eu não consegui pensar em nada a não ser na sua mão em meu rosto. Passamos horas conversado naquele dia, você me fez rir das coisas mais bobas e brincou com meu cabelo. Ah se eu soubesse que o meu cabelo não era a única coisa com a qual brincaria...

Depois daquele dia você demorou para me procurar. Eu não liguei porque achei que era só uma brincadeira e não resultaria em nada, mas você me ligou e pediu desculpas por demorar tanto para me procurar. Outra vez conversamos por horas e novamente eu ri de coisas bobas e sem graças, porque para mim tudo parecia mais legal e divertido quando eu estava com você. Será que foi tão estranho e rápido para você como foi para mim? Ou será que você já estava acostumado com a rapidez com a qual as garotas acreditavam nas coisas que você dizia?

Lembro-me de dizer a você que meu coração ainda estava partido por causa de alguém que havia conhecido antes de você, então você disse “não se preocupe, eu vou consertar ele”. Olha, eu cheguei a acreditar no que disse. Acreditei que poderia mesmo consertar meu coração e fazê-lo parar de sangrar por alguém que não ligava para mim. As coisas foram ficando cada vez mais sérias entre nós e parecia que pela primeira vez eu não precisaria me preocupar em esconder meus sentimentos para não me machucar.

As noites em que estávamos juntos você me fazia rir e também fazia com que eu me sentisse importante. Você pegava a minha mão e a colocava sobre seu peito me fazendo sentir seus batimentos cardíacos e depois dizia que seu coração batia por mim e nunca bateria por outra pessoa, eu tola acreditava. Se me dissessem que isso não duraria muito tempo eu teria rido deles, porque sei que vai durar, eu sei melhor que eles, pois você prometeu “para todo o sempre”. Quem diria, não é?

E agora, sentada no chão vestindo nada mais que uma camiseta antiga e um short velho de pijama, eu paro para analisar tudo. Eu nunca soube ser algo do qual você sentisse falta, mas eu também nunca imaginei que nós teríamos um último beijo ou que acabaríamos assim. Porque você disse que me amava e disse que seria para sempre. Se dissessem para eu ser grata por aqueles que não estão por perto, eu não saberia o que fazer, já eu estava errada. Eles sabiam melhor que eu, mesmo que você tenha prometido não me deixar.

Por um tempo eu observei sua vida por fotos postadas no facebook, como eu costumava observar você dormir e sentia você se afastar de mim, como eu sentia sua respiração. Meus amigos pensavam que eu estava seguindo em frente, entretanto isso não era verdade e ninguém sabia a não ser eu.

Pensei em tentar provar o que você significava para mim. Em dizer tudo o que guardei dentro de mim, mas isso só serviria para eu ver você se afastar novamente e ficaria ainda pior. Não sei como foi que chegamos nessa queda livre. Não sei onde foi que as coisas começaram a parar de dar certo, mas eu sei de uma coisa: eu fiz tudo o que pude até o último dia do nosso relacionamento e não me arrependo de nada, pois graças a você me tornei o que sou hoje e tenho muito orgulho de mim por isso.

Não se preocupe, nunca vou esquecer tudo o que aconteceu entre a gente. Aquele último beijo eu vou guardar no coração, assim como guardo todas as risadas que demos juntos, todas as brincadeiras e todas as coisas boas, porque eu acho que é disso que temos que lembrar, das coisas boas.

16/09/2015

Begin Again

Begin Again



Stella saiu de casa imaginando que seu dia seria chato como geralmente todos são. Pôs uma saia plissada creme longa e cheia de flores azuis, uma blusa também plissada azul meia manga com um laço delicado na parte da frente quase como se fosse uma gravata, calçou uma sapatilha também creme que na frente tinha um formato de gatinho e prendeu seu lindo cabelo dourado em um rabo de cavalo no alto da cabeça. Não usou mais do que um batom vermelho e um lápis de olho, pois achava exagero usar um monte de maquiagem, principalmente aquela hora da manhã e não queria ficar parecida com o Coringa, como acontecia com algumas garotas que ela via pela rua ou pela faculdade. Pegou sua mochila, que tinha estampa de gatinhos, colocou sobre os ombros e saiu de casa com os fones de ouvido já tocando música.

Caminhava pela rua cantarolando alguma música que tocava em seu celular sem se importar com os olhares estranhos e atravessados que as pessoas lhe lançavam a medida que passavam por ela. Todos os dias era a mesma coisa, Stella se arrumava, saia de casa as 06:30 da manhã, pegava um ônibus e soltava quase em frente ao portão principal da faculdade onde estudava. Passava quase que o dia inteiro dentro da instituição assistindo aulas e lendo na biblioteca, mas naquela manhã de quarta-feira, Stella resolveu mudar sua rotina um pouco, pois não teria as primeiras três aulas da manhã. Então decida a não ficar na faculdade sem fazer nada, já que não tinha trabalho nenhum para adiantar, a menina resolveu ir a uma cafeteria que ficava bem próximo da faculdade, onde a maioria dos alunos tinha como ponto de encontro entre si.

Novamente ela caminhou cantarolando e ignorou os olhares que sempre se fixavam nela por mais de três minutos. Ao chegar na cafeteria, quando distraidamente foi abrir a porta uma mão grande acabou pousando sobre a sua por alguns segundos fazendo com que a bela menina loura levantasse a cabeça com o rosto vermelho de vergonha e cruzasse seu olhar com o de um lindo garoto que deveria ter a mesma idade que ela.

Assim que os olhos de ambos se encontraram, Stella sentiu suas bochechas queimarem ainda mais. O menino sorrio meio desconsertado com a situação, mas adorando que tenha sido com uma menina tão bonita quanto Stella. Ela retirou a mão debaixo da dele corada e ele prontamente abriu a porta da cafeteria dando passagem para que ela entrasse primeiro. A menina agradeceu timidamente e entrou no estabelecimento andando até uma mesa mais no fundo da cafeteria, onde poderia ficar mais escondida das outras pessoas e sentou-se sozinha.

Stella era uma garota de poucas amigos e nenhum de seus poucos amigos estudavam na mesma faculdade que ela, o que fazia com que a mesma estivesse sempre sozinha, por isso quase todas as pessoas que estudavam com ela a chamavam de esquisita e nunca se aproximavam dela.

Uma garçonete veio até sua mesa para anotar seu pedido, sorrio para Stella de forma delicada, que lhe devolveu o sorriso da mesma forma e deu uma olhada rápida no cardápio.

- Bom dia, o que vai querer? - perguntou  a garçonete educadamente.

- Um macaron de morango e um cappuccino, por favor. - pediu sorrindo levemente.

A garçonete saiu com o pedido anotado enquanto a menina pegava dentro de sua mochila um caderno, um lápis, uma borracha e começava a desenhar uma garotinha segurando um filhotinho de cachorro, como havia visto no parque ao passar de ônibus pelo local. Enquanto Stella desenhava, o garoto que havia meio que esbarrado com ela na hora de entrar na cafeteria, não parava de observa-la, como se ela fosse a pessoa mais interessante do mundo e ele não pudesse parar de olhar para ela um segundo.

O pedido de Stella chegou e ela sorrio feito criança ao notar que macarons tinha morangos por cima. Ela adorava doces, estava sempre comendo um. Sua mãe costumava a chamar de formiga devido a sua paixão por doces e suas amigas não conseguiam entender como ela comia tanto doce e não engordava nada, isso fazia até com que as meninas ficassem um pouco frustradas com seus próprios metabolismos.

Ela começou a comer seu macaron e beber seu cappuccino sem notar que o garoto continua a observa-la com um sorriso bobo nos lábios. Então ele se levantou de sua mesa dizendo para seus amigos que voltava depois e andou até a mesa de Stella, parou de frente para ela e sorrio alegremente a olhando. Ao sentir que alguém havia parado em sua frente a menina levantou a cabeça voltando a encontrar o olhar do garoto pela segunda vez naquele dia. Corou um pouco e sorriu timidamente para ele.

- Olá senhorita - ele falou sorrindo torto para ela ou vê-la corada.

- Olá - Stella sorriu ficando um pouco mais corada e mexendo em seus dedos.

- Posso me sentar? - o garoto perguntou educada e timidamente.

- Pode sim - ela respondeu também tímida

- Eu me chamo Edward - falou a olhando - confesso que não fui capaz de desviar meus olhos de você desde que nos esbarramos quando chegamos aqui, como você se chama?

Ela o olhou surpresa com tal afirmativa, nunca imaginou que um garoto bonito como ele se interessaria por ela, muito menos que chegaria dizendo isso.

- Eu me chamo Stella, é um prazer conhecê-lo Edward.

Então eles começaram a conversar de forma amigável e agradável, falando sobre as coisas que amavam, sobre as bandas que ambos gostavam, sobre os livros que liam e por algum motivo Stella achou que em algum momento ele fosse fazer como seu ex namorado, que sempre a criticava, mas então ela disse alguma coisa e ele virou a cabeça para trás rindo feito uma criança e ela achou estranho ele a achar engraçada por seu ex nunca achava. E Edward disse que nunca tinha conhecido uma garota que tivesse tantos cds dos Beatles como ele, mas ela tinha e isso fazia ele se encantar ainda mais por ela.

Enquanto conversavam Stella não parava de pensar que passou os últimos oitos meses achando que tudo o que o amor faz é partir, queimar e acabar, mas naquela quarta-feira de manhã ela estava vendo tudo começar de novo. Ele então pegou uma câmera em sua mochila e tirou uma foto dela dizendo que com aquela foto ele poderia tê-la sempre perto e assim poderia olhar para aquele rosto que tanto o chamou atenção desde que se esbarraram.

Depois de um longo tempo conversando eles perceberam que precisavam voltar para a faculdade e para surpresa de Stella, Edward também estudava na mesma faculdade e disse que a acompanharia até lá, pagaram a conta e saíram da cafeteria indo em direção a faculdade. Durante a caminhada Stella pensou em te falar sobre sua ex com Edward, mas então ele começou a falar sobre os filmes que assistia junto com a família todo natal e pela primeira vez em oito meses Stella percebeu que o passado era só passado.

Então numa quarta-feira de manhã, num café, ela viu tudo começar de novo.

02/09/2015

Mais uma declaração de amor

Amor à distância


Sabe quando você está ouvindo música em seu celular e começa aquela música que te faz pensar em mil coisas? Então, assim é comigo toda vez que eu escuto nossa música. Basta a Colbie Caillat começar a cantar que seu nome aparece em minha menta e eu começo a imaginar um monte de coisas que poderiam acontecer para que o nosso namoro deixe de ser à distância e passe a ser pessoalmente.

Ontem não foi diferente, eu estava ouvindo música em meu celular e quando começou a tocar nossa música um sorriso bobo surgiu em meu rosto, os pensamentos sobre ter você perto de mim vieram e eu fiquei imaginando várias coisas.

Imaginei nós dois deitados em uma cama, eu vestindo sua camisa, você com o peito desnudo e ambos rindo de alguma besteira que um dos dois disse. Também imaginei nós dois sentados juntinhos no sofá assistindo algum filme... A questão é que eu queria que você estivesse aqui comigo, queria seus braços ao redor da minha cintura, queria seus beijos e as caricias.

Esse mês de setembro fará cinco meses que estamos juntos, cinco meses que eu estou mega feliz por ter você na minha vida, cinco meses que eu estou completamente apaixonada por você e isso foi a melhor coisa que já me aconteceu. Eu te amo e não vejo a hora de poder estar com você pessoalmente.

14/08/2015

Invisivel

menina invisive


Invisível. Tem dias que essa palavra não sai da sua cabeça, como uma lâmina que insiste em fazer vários cortes em sua pele nunca te deixando em paz.

É engraçado como você consegue se sentir sozinha mesmo quando há pessoas ao seu redor. Sua mente é infinitamente mais esperta que você e vive te fazendo acreditar que invisível é sua única qualidade como se você não pudesse ser nada mais do que uma garota invisível que vive a sombra de todos e nunca é notada por ninguém.

O medo de arriscar e fazer algo diferente é muito grande, pois o peso da palavra invisível faz com que você acredite que ninguém vai te aceitar do jeito que realmente é e isso lhe deixa enjoada, apenas pelo fato de que nunca vai ser boa em nada e nem para ninguém.

Você percorre sua estrada achando que não tem ninguém te enxergando, pensando que ninguém ouve seu grito solitário e tentando fazer as batidas do seu coração soarem mais baixas, pois acha que até mesmo o som do seu coração incomoda, mas me escute por um minuto.

Confie em alguém que já esteve no lugar onde você está, que já sentiu vontade de desaparecer por achar que ninguém se importava e já se sentiu invisível assim como você. As palavras cortam, mas isso não quer dizer que você está sozinha.

Você não é invisível, me escute, há muito mais na vida do que o que você está sentindo agora e um dia toda essa solidão e dor que está sentindo será invisível. Então deixe seu coração ser ouvido, grite para o mundo inteiro saber quem você é e nunca tenha medo de fazer algo diferente, atreva-se a ser algo mais.

Todos esses rótulos que eles te dão apenas por não entenderem. Se levantar a cabeça e olhar para a frente vai ver que você tem uma amiga acenando uma bandeira por quem você é e por tudo o que você vai fazer. O que digo é para você e para qualquer um que já se sentiu invisível, porque você é melhor do que tudo isso.

02/08/2015

Como eu fiquei depois que você se foi

fanart levy chorando no tumulo de gajeel


Fecho os olhos e a primeira coisa que me vem a cabeça é a saudade que tenho de conversar com você, era tão fácil me perder em suas risadas, seus olhos sempre sinceros faziam sentir-me segura e por mais que eu ficasse com raiva das nossas brigas, nunca conseguia realmente ficar com raiva de você.

Coloco nosso pianista favorito para tocar no youtube, a melodia suave me faz fechar os olhos e suspirar de forma calma, então como se sentisse suas mãos em minha cintura me incentivando, começo a dançar ainda de olhos fechados.

Meus pés se movem lentamente ao ritmo da música, abraço meu próprio corpo me sentindo sozinha, um vento frio entra pela janela aberta arrepiando meu corpo da cabeça aos pés e a tristeza que na época me abateu volta com toda força como um soco na boca do estômago.

Então as lágrimas começam a escorrer por meu rosto pingando no chão ou em minha blusa azul, aquela que você me deu em meu aniversário de 17 anos, eu não a uso mais para sair, mas sempre durmo com ela, pois sinto que assim ainda tem um pedaço seu comigo.

Me encolho em meu próprio abraço e deixo que a tristeza e as lágrimas tentem me fazer ficar melhor, entretanto obviamente hoje era um dia que eu não conseguiria ficar bem.

Hoje fazem 3 anos que você se foi, mas para mim é como se fossem apenas 3 dias, meu luto, creio eu, nunca irá me deixar, você era meu melhor amigo, meu confidente, meu fiel escudeiro e o amor da minha vida, sei que hoje não posso te encontrar e dizer o quanto te amo, mas um dia vou estar no mesmo lugar que você e nós em fim poderemos ser feliz juntos.

27/07/2015

Uma crônica que virou declaração

gif menina mexendo no celular

Pode parecer estranho para algumas pessoas, mas para mim já é super normal o relacionamento que você e eu temos. É claro que não posso negar que gostaria de ter muito mais do que só passar a madrugada conversando com você. Eu queria abraços, beijos, brincadeiras bobas... bom, nós temos tudo isso, mesmo que ainda seja apenas virtual, entretanto tenho esperanças de que essa distância que temos possa ser resolvida o mais rápido possível para que nós possamos estar nos braços um do outro logo.

Toda vez que meu celular faz barulho indicando que uma nova mensagem chegou eu corro parar ver se foi você, as vezes não é você, mas isso não importa porque quando a mensagem que chega é sua eu imediatamente abro um sorriso bobo e inconscientemente deixo escapar um suspiro feliz por poder falar com você de novo. Já estou me sentindo uma adolescente apaixonada só por minhas palavras agora rsrs.

Foi meio esquisito quando contei para minha mãe que eu estava namorando um garoto que mora longe de mim e que por isso nosso namoro era à distância. Ela me olhou com a testa franzida, deu uma risada e me perguntou: "Como você conseguiu se apaixonar por alguém que você nunca viu pessoalmente?" e eu mordi os lábios e respondi de forma simples que não mandamos no coração e o meu tinha escolhido amar você independentemente da nossa distância. Então ela me olhou e disse que ainda não entendia, mas que se eu estava feliz então por ela tudo bem. Também foi divertido quando contei para minha melhor amiga, pois ela disse que eu tinha coragem de fazer o que ela não tinha e eu perguntei o que era e ela me respondeu: "desencalhar oras", eu comecei a rir, mas o que foi mais engraçado foi quando eu mostrei uma foto sua para ela, mas vamos deixar essa parte para eu te contar no privado okay?

A verdade é que eu nunca sei bem o que escrever quando quero expressar meus sentimentos, eu não faço ideia do porque não consigo expressa-los, mas para mim é meio complicado e eu sou muito esquisita e tenho certeza que você já sabe disso né, então não vou me enrolar falando sobre o quanto eu sou esquisita rsrs.

Sabe, isso era para ser apenas uma crônica nova para meu blog, onde eu falaria sobre namoro à distância e até citaria o nosso, mas quando eu comecei a escrever não consegui fazer o que tinha planeja e agora isso parece um pouco com uma crônica, mas também saiu como uma declaração dos meus sentimentos por você, como se eu já não tivesse feito outras né, porém quando estamos apaixonados é assim mesmo, tudo o que fazemos é pensando na pessoa que a gente ama e a minha pessoa é você.